domingo, 4 de dezembro de 2016

A 746 E A BASE.

Encerrando a nossa participação neste fórum trago aqui ainda a discussão da proposta de implantação de um Currículo único no Brasil, tema pertinente das reformas educacionais das últimas décadas em todo o mundo e objeto de polêmica entre  ANPED e MEUCCI. A adoção de um currículo único no Brasil  avança num clima de grandes incertezas de sua real implementação frente à MP 746 que domina na atualidade os debates. A 746 ofusca a Base, daria uma boa manchete de jornal. No entanto e apesar dos percalços  se encontra pronta a segunda versão Base Nacional Comum Curricular após a realização dos debates e consolidação das contribuições ocorrida pelo site e através dos vários encontros realizados com este fim. As colocações de RODRIGO NUNES DA CRUZ - domingo, 4 Dez 2016, 15:23 corroboram as afirmativas acima quanto a participação pró base, quando diz que “a Base foi um aprendizado maduro, que enfrentou e explicitou uma grande tensão entre a centralização e a autonomia dos currículos.” Continuando ele pontua: sendo fruto de discussão e diálogo, [...] que permanecerá ocorrendo a respeito do tema.” Ao longo deste período nos artigos lidos vimos interessantes análises sobre a implementação dessa política em vários países do mundo. Na seção 4 do livro intitulada Crise Cultural, Nigel introduziu leitura que trata da reforma conservadora na Grã Bretanha na década de 80 envolvendo o problema do currículo nacional.  BROOKE p. 272 assim se expressa “Percebe-se como a ideia de um resgate dos padrões do passado se concretizou na forma de uma legislação detalhada sobre todos os conteúdos de um currículo centralizado e obrigatório.” Apesar de realidades díspares entre Grã Bretanha e Cuba situação análoga se verifica neste país  que desenvolve sua educação também pela imposição de um currículo nacional único, sob argumento da necessidade de padronização de conteúdos de ensino devido o argumento da excessiva autonomia dos professores e da necessidade de monitorar e  avaliar os desempenhos dos alunos. CARNOY P. 138 “[...] as crianças cubanas estão recebendo um currículo de matemática bastante exigente, transmitido de modo muito mais eficaz, por professores melhor formados, mais frequentemente supervisionados e orientados”. Quanto a situação do Brasil, no que toca o ponto de uma reforma mais geral implementada na educação nos conteúdos a serem ministrados, houve significativa participação na estruturação de uma Base nacional Comum Curricular, embora para alguns críticos tenha sido muito restrita esta participação, em Minas Gerais aconteceram alguns seminários com o objetivo de debater já a segunda versão da Base e no Brasil todo também foram realizados seminários com o mesmo objetivo nas 27 unidades da federação. Desses seminários saíram contribuições importantes para construção definitiva de uma base que atenda a necessidade educacional do país e novas contribuições foram introduzidas sendo publicado agora sua segunda versão.  De tudo que já foi argumentado de que a base coloca a possibilidade de reduzir a desigualdade na aprendizagem de alunos de escolas de todas as regiões do Brasil existe também o estabelecimento de metas de aprendizagem onde estará definido o que o aluno deve saber ao final da cada um dos anos de escolaridade. Grandes mudanças são esperadas com a adoção de um currículo único no Brasil com implicações na política de livros didáticos, do plano de aula e sua execução em sala, bem como para a formação do professor. Se for levada a sério a política da Base Nacional esta será um grande norte, e seguramente um dos grandes saltos de qualidade da educação brasileira.
REFERÊNCIAS 
MEUCCI, Simone. Velhos escombros sobre uma nova base ou "Requiem para uma Base insepulta”. Texto apresentado no 40ª Encontro da ANPOCS. Disponível em: < https://revistaescuta.wordpress.com/2016/10/31/velhos-escombros-sobre-uma-base-nova-ou-requiem-para-uma-base-insepulta/>. Acesso em 04 Dez 2016.
 ANPED. Exposição de Motivos sobre a Base Nacional Comum Curricular. Rio de janeiro.2015. Disponível em: www.anped.org.br/sites/deefault/files/resources/ Of_cio_01_2015_CNE_BNCC.pdf   Acesso em 04 Dez. 2016
BRASIL. MEC. Base Nacional Comum Curricular. 2ª Versão. Disponível em < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/documentos/bncc-2versao.revista.pdf> Acesso em 04 Dez. 2016
BROOKE, Nigel. (Org.). Marcos históricos na reforma da educação. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Fino Traço, 2012.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

As evidências de uma situação problema em um caso de gestão.

O estudo de caso desta quinzena tem como objeto o programa Ciência sem Fronteiras na sua versão implantada na Universidade Federal de Viçosa – Campus de Rio Paranaíba mostrando como situação problema o pequeno número de alunos desta Universidade que são contemplados pelo programa, uma vez que apenas 3% dos possíveis participantes estão no CsF. Com o objetivo de promover o desenvolvimento tecnológico, projetar as pesquisas das universidades brasileiras a nível internacional e estimular o processo de inovação no Brasil as evidências trazidas por este caso da situação problema, estão relacionadas com os entraves apresentados pela autora e constituem os obstáculos ao sucesso do programa em termos do quantitativo do caso em questão. O Colega SANDRO RENATO DOS SANTOS - domingo, 27 Nov 2016, 16:22, sintetizou muito bem as evidências da situação problema do estudo de caso desta quinzena elecando as quatro evidências do caso: que as áreas de ciências exatas, tecnologias e naturais têm prioridade de atendimento no programa, que as áreas de ciências humanas e sociais ficam fora desta lista de prioridades, não abrindo possibilidade de participação de seus alunos no programa e considerável parcela dos estudantes da UFV são destas áreas e perdem a oportunidade de serem selecionados para o Ciência sem Fronteiras; os pré-requisitos para os alunos estarem habilitados a participarem do programa é fator complicador em função do grande índice de reprovação em determinadas disciplinas dos cursos de ciências exatas da universidade que bate de frente com os seguintes requisitos que é de  possuir bom desempenho acadêmico; ter concluído no mínimo 20% e no máximo 90% do curso e de ter no máximo 3 reprovações no curso, ter no máximo 3 reprovações no curso. 3º entrave: A baixa proficiência dos alunos no idioma próprio do país de destino e o 4º entrave: Resistência dos professores e coordenadores de curso em relação ao intercâmbio, dificultando a adequação do currículo e o aproveitamento das disciplinas cursadas no exterior, provocando o atraso na formação dos alunos participantes do programa. A nossa ASA Fernanda Baldutti - terça, 29 Nov 2016, 14:38, lança uma série de questionamentos que sugerem o enfrentamento dos problemas envolvendo este caso de gestão. Dizem respeito a todos os gargalos que atrapalham o sucesso do programa, no sentido de ampliar a participação dos acadêmicos de humanas, de resolver a questão do idioma, a adaptação no país com a língua estrangeira, os déficits de aprendizagem nas disciplinas de exatas, e por fim a situação de retorno dos acadêmicos e o acolhimento das disciplinas cursadas no exterior. Todas estas questões precisam ser enfrentadas para promover o deslanchar do programa, não significando facilitar a entrada de estudantes relaxando critérios que acolhe alunos sem qualificação para o programa,  que viria a constituir um “inchaço” de qualidade duvidosa preocupado apenas com o  cumprimento da meta dos 101 mil. O que se precisa é preparar o estudante brasileiro desde o Ensino Médio, identificando os talentos e incentivando aqueles que desejam ter experiência no exterior e iniciar já aí neste nível de ensino o seu preparo para concorrência da vaga. Neste sentido o caso relaciona com todos os gestores das escolas de Ensino Médio. Este programa fazendo esta ponte e já orientando o aluno e preparando o mesmo para participação do processo seletivo do programa teria muito mais chance de alcançar um grande sucesso. Quanto aos alunos das humanas é preciso critérios diferentes onde sejam enfatizados qualificações relacionadas com sua área em foco. Quanto ao idioma é um problema que se coloca para muito antes do ingresso do jovem na universidade. Não se concebe um país onde sua juventude termina o Ensino Médio sem o domínio de pelo menos a Língua Inglesa. Portanto os 3% que atingidos pelo programa tende a continuar com uma reforma do ensino médio implementada através de uma Médida Próvisória que ignora todas a caminhada desenvolvida para implementação da Base e do Plano Nacional de Educação. providências. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Mpv/mpv746.htm> Acesso em 03 Dez.2016

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

REFORMAS EDUCACIONAIS DOS ANOS 90

Como estamos presenciando a proposta de Reforma do Ensino Médio em nosso país, em tramitação no senado, cria uma situação muito complicada para todos os encaminhamentos das últimas políticas públicas que vinham se dando. Vimos que a Medida Provisória 746 atropela políticas pública importantes que vinham se consolidando e se firmando a partir de grandes acordos entre os mais diversos grupos e posições conflitantes no Brasil. Está ocorrendo um desvio dos temas e problemas que vinham dominando o debate educacional no país. A base e o plano nacional de educação foram retiradas do foco está relegada à 746, que  não considerou todo o esforço empreendido até aqui no campo da estruturação do currículo único e de uma política de estado. As alterações propostas pela 746 estão dentro de mudanças muitas mais amplas  empreendidas mundialmente no campo do neoliberalismo, da racionalidade econômica  e do tecnicismo na educação. Acompanhamos com a obra do Nigel Brook este grande movimento capitalista em prol de uma educação produtora de capital humano como insumo alimentador do lucro no mercado capitalista. Como já pontuado aqui neste fórum, a facultação de disciplinas importantes para a construção do ser humano e do pensamento crítico serem relativizadas, ignorando lutas históricas para a introdução das mesmas no currículo tem significado importante para o neoliberalismo. Sociologia, filosofia, artes não interfere na construção do fator de produção capitalista porque ensina a pensar, ao contrário, estas disciplinas constitui um empecilho ao crescimento capitalista uma vez que ensinam os jovens a entender a acumulação do capital. A proposta é de investir mais um bilhão e meio para converter escolas para tempo integral, ou seja, é aumentar mais tempo da educação com disciplinas do campo da técnica e das exatas, excluindo área de humanas, para inserir o jovem nas necessidades de lucro das empresas. A falácia está escondida no objetivo de ajudar o estudante a desenvolver mais plenamente. A educação tecnicista ignora e separa preconceituosamente o saber técnico do saber intelectual não compreendendo que estudar, ler constitui também um trabalho. Muitas secretarias aderirão em função dos 2 mil reais que serão investidos por aluno anualmente, diante da carência de recursos e políticas públicas voltadas para a juventude brasileira. E esse investimento é instituído dentro da visão da teoria do capital humano de Schultz. Faz-se uma ponte deste nível de ensino com o curso superior, que no caso, segundo os autores da 746 o estudante guarda crédito para ingresso na universidade. Onde estão os créditos do ensino Médio com níveis tão baixos de proficiência no IDEB?  São as baixas proficiências que aumentam o número de jovens que saem da universidade. Os jovens acabam abandonando por não ter base para acompanhar as disciplinas no nível superior, os créditos do ideb ajudam a engrossar o abandono e não no ingresso. A teoria do capital humano formulada por Schultz na década de 50, ganhador do prêmio nobel em 1968, em que buscou explicar a produtividade pelo “fator humano” da produção está no fundo das reformas propostas pelo governo “gerontocrático” de plantão como batizou Meucci. Por esta teoria trabalho humano, vamos qualificar por meio da educação a juventude,  pois este é o caminho para a ampliar a produtividade econômica, e, portanto, das taxas de lucro do capital, neste Brasil em crise econômica. É uma visão tecnicista, de que educação é a base do desenvolvimento da economia e dos indivíduos. Alinho com a  colega INEZ CRISTHINA ASSIS MARCELINO - segunda, 28 Nov 2016, 20:38, quando ela cita o BROOKE 2012, dizendo que pela teoria do capital humano o nível de escolarização de uma sociedade possui relação direta com o seu crescimento econômico e social e que o princípio da racionalidade econômica é um preceito que prega a satisfação máxima com utilização mínima de recursos.
ANPED. Exposição de motivos sobre a Base Nacional Comum Curricular, 2015. Disponível em: <http://www.anped.org.br/news/exposicao-de-motivos-sobre-base-nacional-comum-curricular >.Acesso em: 27 nov. 2016.
ROOKE, Nigel. (Org.). Marcos históricos na reforma da educação. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Fino Traço, 2012.
MEUCCI, Simone. Velhos escombros sobre uma nova base ou "Requiem para uma Base insepulta”. Disponível em: < http://www.ppgp2.caedufjf.net> Acesso em: 27 nov. 2016.
PORTAL BRASIL. Cidadania e Justiça. Entenda o Novo Ensino Médio. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/09/entenda-o-novo-ensino-medio> Acesso em: 30/11/2016

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O COORDENADOR DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL - Emerson da Silva Alves - solicita participação de todos em Ação de Mobilização contra a Dengue, tirando 10 minutos para vistoriar quintal e recolher material que acumula água.


   
   Recebemos uma comunicação da Secretaria Municipal de Saúde em 24 de novembro de 2016, onde o Coordenador de Vigilância Ambiental Sr. Ermeson da Silva Alves convoca todos a participar de uma AÇÃO DE MOBILIZAÇÃO CONTRA A DENGUE, explicando que o número de casos aumenta no período das chuvas sendo neste período que cresce a quantidade de criadouros desse vetor - Aedes Aegypti - que utiliza a água parada para depositar os seus ovos, assim a quantidade de mosquito cresce muito aumentando as chances destes entrarem em contato com pessoas doentes e se contaminarem, tornando um propagador dessa doença. 
     O Coordenador pede a colaboraçãodos seus membros para cada um dos moradores tirando 10 minutos do tempo para vistoriar o quintal, recolher os materiais que acumula água para se evitar epidemias.

domingo, 27 de novembro de 2016

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS SOBRE A BASE CURRICULAR COMUM


         A exposição de motivos emitida pelo Grupo de Trabalho 12 da ANPED com o apoio da ABdC, onde se manifestam contrário a implementação da Base, em um primeiro momento toma-se um impacto reflexivo com a leitura do documento e se vê a perguntar:  como pode existir posições de negação da construção e a implantação de uma base curricular comum no Brasil quando em outros países deu certo? O que este grupo que destrói a base com seus argumentos coloca no lugar da mesma?  Entende-se até aqui antes de conhecer este texto que a implantação da base abre caminhos para garantir o efetivo direito à aprendizagem uma vez que ela dialoga com os conteúdos dos livros didáticos, com a avaliação externa e impõe um norte bem claro para a educação de todo o país. Mas esta temática divide opiniões. Segundo o entendimento dos intelectuais que assinam o documento é que a base destrói a diversidade, impondo uma única visão, que é incompatível com a escola pública e com o estado de direito. Acusam que o movimento da base faz parte de direcionamentos mais amplos de um projeto unificador e mercadológico, vinculados às reformas dos anos 90 quando combina currículo, avaliações externas e a responsabilização da escola diante dos seus  possíveis sucessos e fracassos. No campo desta polêmica,  expõem nove argumentos contrários à estruturação e implantação da mesma, com argumentações contrárias àquilo que os mesmos veem como consequências desta estruturação: por esta posição estaria prejudicada a diversidade com uma forte uniformização destruindo a localidade no currículo. A base neste sentido se torna um perigo para a democracia pois vai estabelecer o nacional como homogêneo desrespeitando e desvalorizando a pluralidade, sendo estes princípios os  fundamento da educação nas sociedades democráticas. Há divergências quanto ao entendimento da aprendizagem, que pela base está condicionada à escolarização, não veem aprendizagem como trajetórias individuais e sociais desenvolvidos e vivenciados ao longo da vida, para além da escolarização, que deve ser tomada como premissa. Não se leva em conta 40 anos de debate em torno da questão do currículo, apresenta se uma base fruto de trabalho e uma elite, apresentada um site com participações sem consistência. Omitem sobre as experiências internacionais e as críticas emitidas à proposta de unificação curricular.  Prejudica a  gestão democrática, devido ao excessivo controle do trabalho do professor que se instalará com adoção de modelo de gestão empresarial sem participação, deixando, nesta visão pouco espaço para o Projeto Político Pedagógico da escola. A base fica centrada nas avaliações externas, gerando rankings e segregações escolares desqualificação o trabalho docente, onde o professor é responsabilizado pelo êxito e fracasso da educação. Onde fica a diversidade como componente humano dos processos de criação de conhecimentos e valores. Por fim a crítica a metodologia de estruturação da base, que segundo os mesmos esta foi guiada pela pressa e pela indefinição de etapas e critérios.
Sabe-se que a estruturação de um currículo unificado no Brasil está no contexto das reformas educacionais preconizadas nos anos 90  e que apesar deste assunto dividir opiniões como vimos no texto em questão, vê se que há uma necessidade de estruturação de uma base por esta contemplar a  oportunidade de criar consensos relativos aos objetivos e conteúdos a serem trabalhados no Brasil todo,  sem negligenciar o espaço da diversidade e a pluralidade cultural local. É o que pensa o colega MAGNO CARVALHO MARTINS - domingo, 27 Nov 2016, 02:58, quando faze a seguinte colocação: “[...]se flexibiliza demais a gente legitima que professores, inclusive da mesma escola, preparem seus materiais isoladamente e divergindo do material dos outros professores da mesma instituição. [..] se todos os professores seguirem esta base, de forma criativa eles poderão acrescentar, dar seu toque particular e aplicar metodologia própria.” Instalada a base, precisa-se pensar como serão contempladas outras políticas que estão no mesmo campo de ação da base, como por exemplo o livro didático, as avaliações externas.  Até em homenagem a Fídel,  faço uma relação destas críticas do Grupo dos 12 com a situação de Cuba.
          No texto a vantagem acadêmica de Cuba, CARNOY (2009) apresenta as razões do desempenho superior dos estudantes cubanos como sendo: o resultado da aplicação de um currículo universal; o professor que é formado enfatizando o conteúdo a ser ensinado; a não alternância de professor nos primeiros anos de escolaridade. Um outro ponto importante é que o estado cubano chama para si a responsabilidade pela educação das novas gerações, cobrando inclusive de pais sua parte no processo. O Estado impõe um alto nível de disciplina, de comportamento cooperativo que garante um excelente trabalho docente nas salas de aula em naquele país.  Parece  que as críticas do Grupo de Trabalho 12, dirigidas a base no Brasil é quanto a possibilidade da mesma vier assumir um viés autoritarismo com a sua implantação. Nesse ponto, portanto guardaria semelhanças com o modus Cubano de fazer educação. Para garantir altas proficiências de seus estudantes, conforme Carnoy assinalou, o Estado cubano mantém um rigoroso controle do trabalho do professor em sala de aula a partir de um currículos único e de professores selecionados entre concluintes do ensino médio com melhor desempenho e de controle da situação das crianças até no seu ambiente social fora da escola.
                O mundo está carente de líderes, seja de direita ou de esquerda.  Fídel soube ser um daqueles raros grandes homens da história mundial. Toda homenagem a ele que soube enfrentar e vencer o maior poder da terra. O seu legado é dúbio, quando conquistou grandes avanços para a educação do povo cubano,  não com liberdade e democracia mas com autoritarismo.
 "A história me absolverá" Fidel Castro Ruz


ANPED. Exposição de motivos sobre a Base Nacional Comum Curricular, 2015. Disponível em: <http://www.anped.org.br/news/exposicao-de-motivos-sobre-base-nacional-comum-curricular >.Acesso em: 27 nov. 2016.
ROOKE, Nigel. (Org.). Marcos históricos na reforma da educação. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Fino Traço, 2012.
____________ CARNOY, Martin. A Vantagem Acadêmica de Cuba. P. 138-141. 2009

MEUCCI, Simone. Velhos escombros sobre uma nova base ou "Requiem para uma Base insepulta”. Disponível em: < http://www.ppgp2.caedufjf.net> Acesso em: 27 nov. 2016.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PME e o BNCC frente ao governo Temer.

Parece que o momento é de grande risco para todas as últimas conquistas educacionais. Toda a luta da sociedade para fazer valer a Constituição Federal no campo do direito à educação, nunca plenificado no país volta novamente ao marco zero. O PME a BNCC se encontram sob forte ameaça desta açodada Medida Provisória do Ensino Médio. Meucci fala de um “período institucional em que as políticas públicas estão sob forte ataque”. A sensação que se tem é que abriu se um parêntese no planejamento no curso das políticas, e que “do nada” como se diz no popular lança se um objeto estranho invalidando toda uma trajetória sofrida, negociada, construída passo a passo com o suor e a inteligência de todos. Chegou-se a um ponto em que como ressaltou a autora do texto,  o BNCC, o PNE foram  “suspensos” da aula em pleno momento do exercício de consolidação da aprendizagem. A metáfora da família que vê desaparecido um de seus membros é bem explicitadora, da situação de todas estas políticas quando o governo de plantão que não confirma morte, mas a ausência cada vez mais longa consome a esperança. No momento em que deveria se deslanchar os encaminhamentos para efetivação da base, surge da gerontocracia a 746. O debate em curso em torno da base foi substituído pela polêmica dos conteúdos que serão ou não obrigatórios na 746. Concentram aí uma Reforma que é muito ampla e perfeitamente contemplada no PNE. A Meucci fala que esta 746 “é como se recebêssemos uma carta do sequestrador acompanhada de alguns dedos e da orelha da vítima, anunciando o seu retorno.” Reacendem o complexo dilema das combinações: centralização/descentralização, atraso/avanço, democracia/autoritarismo. A autora fala que é possível que o PNE desapareça no triângulo das bermudas: PEC-241, MP-746 e pela  PL4567/16.  A colegas MIRIAN VALERIA DE CARVALHO - quarta, 23 Nov 2016, 21:30 assim analisa a MP 746 “foi uma medida apressada e deixa muito a desejar em se tratando de qualidade de ensino e da real preocupação com a formação integral dos estudantes bem como do interesse nos docentes e sua atuação.” O professor que veio substituir não considerou o planejamento do substituto, apagou o quadro com tudo que seu colega fez e ainda disse aos alunos que o outro ensinou errado, esta é a sensação. Vamos recomeçar, reinventar a roda e assim mais  tempo e atraso para garantir uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros.


MEUCCI, Simone. Velhos escombros sobre uma nova base ou "Requiem para uma Base insepulta”. Texto apresentado no 40ª Encontro da ANPOCS. Disponível em: < https://revistaescuta.wordpress.com/2016/10/31/velhos-escombros-sobre-uma-base-nova-ou-requiem-para-uma-base-insepulta/ />. Acesso em 24 Nov 2016.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS-Estudo de Caso

            O Estudo de Caso desta quinzena diz respeito ao programa de promoção e expansão bem como da internacionalização da ciência e da tecnologia brasileira por meio de intercâmbio internacional denominado Ciências sem Fronteiras acolhido pela Universidade Federal de Viçosa, no Campus de Rio Paranaíba desde 2012. Este previu atender 101 mil bolsas no tempo de 4 anos possibilitando a presença do estudante no exterior com o objetivo de conforme CARVALHO et al “promover de maneira acelerada, o desenvolvimento tecnológico e estimular os processos de inovação no Brasil, bem como inserir pesquisas feitas nas instituições brasileiras no cenários internacional”.  No campo específico do CsF  tem como por exemplo o objetivo de oportunizar a complementação da formação de estudantes, dando lhes oportunidade de vivenciar experiências enriquecedoras no exterior.
          Este constitui um Caso de Gestão pois traz um padrão de construção semelhante a todos os outros discutidos ao longo dos fóruns desta disciplina. O problema central nos apresenta de forma bastante clara que é pequeno número de alunos da Federal de Viçosa do Campus Rio Paranaíba que são contemplados pelo Ciência sem Fronteiras. O programa acolhido na Federal de Viçosa que é a segunda que mais envia estudantes para o exterior e no entanto possibilita a apenas 3% dos seus participantes a inserção no programa. São várias pessoas envolvidas com este problema das mais diversas formas sejam como público alvo, seja como implementadores da política e articuladores  das mais diversas instâncias  mais e menos comprometidos com as diretrizes e encaminhamentos que terminam por criar entraves e pontencializar  ou atenuar mais ainda a questão.
O primeiro entrave, torna se uma das evidências deste caso e constitui um dos alimentadores do mesmo quando já por uma portaria regulamentadora do mesmo se exclui uma massa de estudantes porque estão estes inseridos na área de Ciências Humanas e Sociais, como se tecnologia fosse um campo de conhecimento que não guardasse relação com a área das ciências da sociedade e do ser humano, conforme citado por  KEYLA MARY GOULART - quinta, 24 Nov 2016, 12:11 “o primeiro entrave está na definição, através de portaria interministerial, das áreas de ciências exatas, tecnológicas e naturais como prioritárias no atendimento do programa, na qual excluiu-se a possibilidade de participação de alunos das ciências humanas e sociais, que constituem, no caso da UFV-CRP, considerável parcela dos estudantes matriculados;”

CARVALHO, Claudiane Silva. GUEDES, Wallace Andrioli. BARONE, Paulo Monteiro Vieira Braga. O Programa Ciência sem Fronteiras na Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba: êxitos e desafios. Sem data.